Morre Alborghetti
Na tarde de quarta-feira (09/12) morreu em sua casa, em Curitiba, capital do Paraná, o apresentador de televisão e ex-deputado Luiz Carlos Alborghetti. Aos 64 anos, Alborghetti sofria de câncer de pulmão. Ele chegou a gravar e postar no Youtube um video onde contava aos fãs sobre sua doença e seu crítico estado de saúde. O velório ocorrerá na Assembleia Legislativa do Paraná.
Alborghetti ficou famoso pelo programa Cadeia Nacional, na rede CNT, em que, com um porrete na mão, apresentava matérias sobre crimes e pedia "cadeia" aos responsáveis, com um discurso ácido e sem medir as palavras. Um estilo que fez escola, revelando, por exemplo, o apresentador Carlos Massa (o Ratinho), repórter de Alborghetti no início da carreira.
O sucesso na televisão o levou a duas eleições consecutivas para vereador de Londrina, no final dos anos 1980, e à Assembleia Legilativa, onde foi deputado entre 1995 e 2002. Desde 2006, seu programa era apresentado exclusivamente pela internet.
Luiz Carlos Alborghetti iniciou sua carreira em 1976 em programas de rádio na cidade de Londrina, também no Paraná. Em 1979, estreou o programa Cadeia, na TV Coroados, emissora da cidade. Três anos depois, o programa já era exibido para todo estado. Em 1992, Alborghetti estreou na Rede CNT, com o programa Cadeia Nacional, transmitido para todo o Brasil.
Algumas de suas frases famosas:
* "Bandido bom é bandido morto!"
* "Cadeia nele já!"
* "Bandido é bandido, malandragem! E bandido você tem que mandar matar!"
* "Um beijo na sua alma!"
* "Tá mais quebrado(a) que arroz de terceira!"
* "Eu não fui desmamado com garapa!"
* "Não tem que construir mais cadeias! Tem que construir mais cemitérios!"
* "Tá com pena dele? Leva pra tua casa! Põe pra dormir na tua cama!" (frase dirigida a defensores dos direitos dos bandidos)
* "Vamos tirar a máscara e lavar a cara!"
* "Falsos profetas, falsos moralistas!" (para os supostos defensores dos direitos humanos)
* "Cadeia pra vocês, vagabundos!"
* "Vai sentar na tromba do elefante!"
* "Vamos rezar para o negão, o traficante morto, para beneficiar a família brasileira."
* "Vai pro inferno Satanás!"
* "O fulano peidou pra muzenga!"
* "Mataram mais um assassino. Aleluia!"
* "O fulano agora está no colo do capeta!"
Temos que admitir, sem falsos moralismos, que quando ouvimos uma frase tipo "Bandido bom é bandido morto!", passa por nossos pensamentos uma louca e instintiva vontade de concordar. Creio que essa é a verdade. Mas o maior perigo dessa situação é que ao concordar e fazer apologia a este tipo de idéia estaremos dando um enorme passo em direção à era das cavernas. Olha só, não estou dizendo que se eu chegar em casa e me deparar com uma cena de crime hediondo com um membro da minha família e encontrar o desgraçado ainda no local, que eu vou APENAS segurá-lo e chamar a PM. Pura hipocrisia. Nada disso. Faria o mesmo que 99,99999% dos seres humanos com sangue nas veias... Agora, vejam que em nenhum momento estou dizendo que isso seria o mais correto a fazer. Estou apenas admitindo que o ser humano é assim e não sou o único a saber disso. Tanto é verdade que o nosso ordenamento jurídico prevê atenuante para crimes cometidos sob forte emoção. Não vamos confundir o óbvio com o correto.
Demoramos centenas de anos pra "evoluir" juridicamente e humanamente, nem sempre de forma totalmente satisfatória e unânime, mas temos que admitir que evoluímos. Fazer apologia a este tipo de pensamento seria o contrário da evolução, a involução.
Agora tratando do personagem em questão - sim, um personagem. Ninguém aqui pode afirmar que o que ele fazia era realmente o que ele pensava. Estamos carecas de saber que pra "crescer e aparecer" nos nossos atuais meios de comunicação você tem que MOVER AS MASSAS. E o que as massas querem? Neste momento me vem à mente aquelas cenas de filme em que Cesar - o imperador romano - olha pra toda aquela plebe no coliseu, momentos antes de um gladiador ser finalizado por seu oponente, pra "absorver" o sentimento sangrento do povo e poder fazer seu gesto fatal de virar o polegar para baixo, dando assim permissão/ordem para que o vitorioso dê o golpe final. "A voz do povo é a voz de Deus". Puxa vida... Deixa Deus fora disso. Isso é frase de pára-choque de caminhão. Existem receitinhas de bolo que não mudam nunca, e uma delas é essa de mover as massas. Tá certo, também não sou sabedor de todas as coisas, existem diversas possibilidades: de realmente ser um pensamento próprio dele, de ser um personagem à procura de aprovação na mídia, e também temos a possibilidade de isso ter se tornado a sua forma de pensar por, digamos assim, osmose. Afinal, já versava Aristóteles sobre o assunto:
"Somos o que fazemos repetidamente. Por isso o mérito não está na ação e sim no hábito."
Com todo respeito à pessoa e a família do mesmo, mas não tenho vergonha de discorrer este texto criticando e repudiando as afirmações deste "ícone" brasileiro. Até porque, estou atacando seu perfil público, a parte profissional do mesmo. Não o conhecia na intimidade, por isso não vamos confundir as coisas.
Ainda falando em natureza humana influenciável, gostaria de levantar um exemplo de falta de evolução - diferente de involução. Sabemos que moramos em um país continental, por isso mesmo muito grande e muitas vezes inalcançável do ponto de vista sócio-educacional. Um dos pontos negativos de se ter locais que “ficam pra trás” no quesito educação, é que as nossas regras sociais também o ficam. O que estou querendo dizer com isso?! Ora, quem já viajou por este vasto Brasil já teve a oportunidade de ter contato com outras culturas. Algumas levemente diferenciadas e outras completamente contrastantes. E olha que a probabilidade de um turista que passa por esta situação ter justamente passado pela mesma em um lugar ermo do nosso extenso território nacional é pequena. Geralmente – e eu disse geralmente – quando visitamos outras culturas dentro do nosso país, o fazemos em lugares onde a possibilidade de ver coisas desagradáveis é bem menor. Quero dizer que não sabemos realmente como é o ser humano daquele lugar em seu habitat real. De uma forma geral, o que o turista vê é uma “pintura” bastante exclusiva da cultura local. Resumindo, quem já não ouviu falar do nordeste brasileiro sendo tratado como um “velho-oeste” típico de faroeste norte-americano?! A todo o momento ouvimos falar, seja pela mídia espalhafatosa, seja por pessoas que viviam ou passaram por estes lugares, de histórias contando como o fulano “abriu o bucho” do beltrano com sua faca “pexera” de estimação. Já ouvimos muito falar do modus operandi da política de boa vizinhança de certos povos nordestinos. O que estou querendo exemplificar é que existem lugares aonde a cultura, educação, socialização, inclusão em geral, não chega. Por esse motivo vemos esse atraso na evolução social. Some a isso o fato de o Brasil estar cheio de instigadores sociais. E tem pra todos os gostos, desde os mais politicamente corretos até os mais cangaceiros. Por isso minha gente, não nos deixemos levar pelas emoções ou até mesmo por ícones que falam o que “queremos ouvir”. É a famigerada e batida frase: “Botar lenha na fogueira”. Daí vem um e me diz: “Mas o nosso sistema é falho!!” E daí, não estará me dizendo nada que eu ou centenas de estudiosos sociais já não saibamos. Então por isso iremos pegar nossos “tacapes” e sair rosnando pelas ruas pra fazer a justiça que “achamos” que é a certa?! Dá-me paciência... Mas como nosso amiguinho é insistente: “Então o que faremos se o sistema é falho e as coisas estão tão bagunçadas??” Tenho duas e não uma resposta apenas pra lhe dar, pra que fique de uma vez por todas satisfeito.
VOU ATÉ REPETIR A PERGUNTA:
“Então o que faremos se o sistema é falho e as coisas estão tão bagunçadas??”
RESPOSTA ABRANGENTE/GENERALIZADA:
O que vimos (1ª pessoa do plural do verbo vir) fazendo há séculos. Evoluir.
RESPOSTA PESSOAL/DIRECIONADA:
A sua parte.
Pros mano um salve e pras mina um beijo. (não sei porque, isso me soa tão musical, rsrs) ;)

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